Reinventando o modelo econômico para futuras gerações

São Paulo, 17/12/2020

O sistema econômico atual há muito se tornou insustentável para as pessoas e para o planeta. Um grupo de empreendedores e lideranças de negócios decidiu desafiar esse modelo, propondo que as empresas conduzam suas atividades na ótica de uma economia mais inclusiva e de prosperidade compartilhada. 

Eles participam da coalizão global Imperative 21, formada por organizações empenhadas em ajudar as empresas a transformarem seus modelos de negócios para o século XXI. A proposta do movimento é estimular a criação de ações que levem a uma mudança sistêmica na economia, nas relações de trabalho, dentro das empresas e na sociedade.

Nesta entrevista, Márcia Silveira, diretora de Articulação e Comunicação Institucional do Sistema B, uma das organizações à frente desse movimento, conta o que vem sendo feito para que isso se torne realidade. A primeira grande mobilização feita pelo movimento foi a campanha Redefina Capitalismo, realizada em setembro de 2020.

Márcia Silveira, Diretora do Sistema B

Por que propor, este ano, redefinir o capitalismo? 
 

Este foi um ano simbólico, que marcou os 50 anos do axioma do economista ganhador do Prêmio Nobel Milton Friedman. Ele publicou, em 1970, um artigo em que falava o que seria o capitalismo nos próximos anos. Em sua visão, as empresas tinham como papel primordial maximizar o lucro de seus acionistas. Mas hoje está cada vez mais claro que as organizações têm um papel que extrapola a relação com esse único stakeholder, o acionista. Elas têm muitos outros impactos na sociedade.
 

Quais são esses impactos e qual a visão do Imperative 21?
 

O movimento propõe um axioma em que a maximização dos lucros é feita pensando na geração de bem-estar compartilhado para que tenhamos uma sociedade saudável e um planeta saudável. Esse novo modelo parte do princípio de geração de impactos positivos para funcionários, clientes, comunidades e meio ambiente. A proposta é fomentar uma nova mentalidade econômica. A atual, como vimos em 2020, com os efeitos da pandemia, é insustentável para a existência humana. As condições ambientais e sociais não podem mais ser negligenciadas.
 

Como foi a campanha Redefina Capitalismo? Ela encontrou eco na sociedade?
 

A repercussão foi enorme, catalisando um importante debate sobre o tema. A ideia era causar um impacto trazendo mensagens sobre a importância da diversidade, de ter um salário justo, de ser regenerativo e outras questões. Em São Paulo, fizemos uma projeção gigantesca em um edifício na Rua da Consolação, levando essas mensagens não apenas aos empresários, mas à população. Precisamos de todos para pensar nesse novo modelo e fazer a mudança que precisa ser feita. De acordo com nossas projeções, a campanha impactou um milhão de pessoas nas redes sociais. 
 

Quais organizações participam da coalizão?
 

No Brasil, além do Sistema B, participam como organizadores o Instituto Ethos, o Akatu, o Pacto Global e o Movimento Capitalismo Consciente. Como apoiadores, a B3,  Gerdau, Movida e mais uma dezena de organizações que têm ajudado a disseminar a proposta do Imperative 21. 

 


O movimento propõe que as empresas adotem imperativos de transição para uma nova economia. Quais são esses imperativos? 
 

O primeiro deles é “Crie com interdependência”, reconhecendo a interdependência entre as pessoas, o planeta e a economia. A proposta é que os empreendedores e lideranças corporativas toquem seus negócios buscando o equilíbrio nas relações entre o setor privado, o governo e a sociedade civil para garantir que todos tenham acesso a oportunidades justas no mercado.
Outro imperativo é “Invista em mudanças estruturais”, adotando uma gestão focada na eliminação da desigualdade, que garanta que as empresas e os cargos de liderança  sejam mais inclusivos e que o investimento em negócios de impacto seja mais acessível, por exemplo. A questão, aqui, é dar atenção a todos os stakeholders envolvidos. É dar voz, empoderar e criar oportunidades para todos.
O terceiro imperativo é “Considere todas as partes interessadas”, reforçando a geração de valor para os stakeholders que estão no entorno da organização e criando incentivos para que eles reconheçam o papel social da empresa.

 

 

Na prática, como trazer isso tudo para o dia a dia das empresas?


Na plataforma do Imperative 21 há uma série de ferramentas que apoiam o empreendedor na gestão de seus processos para atingir os objetivos relacionados a cada imperativo. Um exemplo é a ferramenta de gestão de ações relacionadas aos objetivos do desenvolvimento sustentável, o ESG Action Manager, que foi criada pelo B Lab, uma iniciativa do Sistema B, em conjunto com o Pacto Global. A ferramenta é gratuita e permite saber para quais objetivos do desenvolvimento sustentável a empresa contribui, além de medir os impactos e estabelecer metas de melhorias.
 

 

Como as empresas que se identificam com essa proposta podem participar? 


As ferramentas de apoio ajudam a dar um primeiro passo em direção a essa nova cultura de gestão. As empresas podem fazer parte do movimento Capitalismo Consciente, investir no Covida20, aderir ao Seja Antirracista ou responder ao questionário do Sistema B para entender como elas estão em relação aos principais indicadores de impacto econômico, social e ambiental.
Elas também podem utilizar todo o material de mobilização disponibilizado gratuitamente pelo Imperative 21 para dialogar com seus públicos. Basta entrar no site e falar com a gente.