Movendo o mundo por meio do empreendedorismo de impacto

São Paulo, 01/12/2020

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Cinco mulheres extraordinárias, que superaram enormes desafios para construir negócios que fazem a diferença na vida de muitas pessoas e comunidades. Elas foram as finalistas da rodada Brasil do Prêmio Empreender com Impacto 2020 e apresentaram seus cases de negócio à banca julgadora, no dia 3 de novembro, em um evento online acompanhado por um grande número de pessoas.

Amanda Santana, CEO da Tucum, foi a escolhida dos jurados para representar o Brasil na final latino-americana do Prêmio, no dia 3 de dezembro. Ela foi premiada com US$ 1 mil em compras no Mercado Livre e, agora, concorrerá a um capital semente para investir no desenvolvimento dos negócios.

A seguir, você conhece as trajetórias percorridas pelas empreendedoras, seus sócios e parceiros para tirar sonhos do papel.

Amanda Santana, da Tucum

A paixão da Amanda Santana pela arte dos povos originários surgiu durante suas viagens às aldeias Krahô e Kayapó, entre outras comunidades amazônicas, em companhia do marido e antropólogo, Fernando Niemeyer. “Eu achava que o mundo precisava conhecer as obras de arte produzidas naquelas comunidades”, conta a empreendedora, que começou comprando algumas peças para revender no Rio de Janeiro.

Assim nasceu a Tucum, em 2016, com o objetivo de revender artesanatos indígenas praticando o comércio justo e promovendo toda a cadeia ligada às instituições comunitárias locais em 19 povos indígenas. Em 2020, quatro anos depois da formalização do empreendimento, a Tucum acumula mais de R$ 1 milhão em produtos comprados diretamente de artesãos, uma média de 100 vendas mensais e mais de duas mil mulheres de diferentes etnias beneficiadas.

 

“Com o reconhecimento na final brasileira eu ganhei mais uma oportunidade de ampliar a visibilidade da cultura dos povos originários, fortalecendo uma economia de que gera renda de forma justa para essas pessoas”, conta a empreendedora. Caso ganhe o capital semente na final latino-americana, ela pretende ampliar a capacitação dos artesãos para que eles mesmos possam ter as suas próprias lojas virtuais, fortalecendo ainda mais essa parceria.

 

Saiba mais sobre a Tucum Brasil no site www.tucumbrasil.com

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Maria Claudia Mestriner, da Looping Kids

A Looping Kids surgiu do desejo de ampliar a conexão entre as mães e de promover a economia circular. Em 2020, quando as empreendedoras Maria Claudia Mestriner, Ana Beatriz Vasconcellos e Meiriele Duarte Dos Santos decidiram efetivamente abrir um negócio com esses propósitos, o primeiro passo foi procurar o apoio da B2Mamy, uma empresa que capacita e conecta mães ao ecossistema de inovação e tecnologia.

“Naquela época, a gente não tinha nenhum contato com empreendedorismo, não sabíamos nada sobre esse universo. Com o apoio dessa aceleradora, passamos de uma ideia crua para um negócio voltado ao público infantil, mas sob a orientação dos pais”, conta Maria Claudia. A partir da participação no Empreender com Impacto, elas passaram a buscar certificação do Sistema B e a estruturar o negócio para que de fato gerasse impactos sociais e ambientais positivos.

 

Hoje, a Looping Kids está testando sua proposta de valor: uma plataforma para que as crianças troquem brinquedos, roupas, livros e outros objetos usando uma moeda lúdica. Com isso, além de criar uma rede de economia circular, os pais podem economizar e, ao mesmo tempo, incentivar os filhos a terem mais autonomia e a praticarem boas ações. As interações por enquanto têm acontecido pelo perfil @loopingkids_trocas, no Instagram: cerca de 25% dos itens postados já foram trocados. “O próximo passo será implementar um aplicativo mobile e web, deixando a rede social apenas para alcance do público”, explica Maria Claudia

 

Saiba mais sobre a Looping Kids no site www.loopingkids.com.br.

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Ariane Santos, da Badu Design

Tudo começa a partir de uma história pessoal de reconexão de Ariane Santos com ela mesma. Em um período turbulento da vida, Ariane precisou suspender a carreira para cuidar da avó, que sofria com diversos problemas de saúde. Na época, ela entrou em depressão e passou a refletir sobre o que deveria ser prioridade em sua vida. Foi então que ela enxergou no “fazer manual” uma saída. “A arte-terapia é um momento especial de se transformar enquanto faz”, diz a empreendedora.

 

Retomando um hábito gostoso da época da escola, Ariane começou a produzir cadernos personalizados utilizando tecidos. A primeira leva de dez cadernos foi vendida rapidamente e já na primeira semana chegou uma encomenda maior. Assim começou a nascer a Badu Design, que entre 2013 e 2020 saltou do quarto para a garagem, da garagem para um espaço de coworking e, finalmente, para a Badu Design Space, a sede localizada em Curitiba, no Paraná.

 

A expansão do negócio se deu junto com percepção de que o projeto poderia envolver outras pessoas. “Sempre acreditei que a Badu Design havia nascido para ser plural”, conta Ariane. Ela começou contratando dez mulheres, dando preferência para pessoas que, como ela, precisavam cuidar de alguém enquanto faziam dinheiro trabalhando de casa. Nessa mesma época, informada sobre o enorme impacto ambiental da indústria têxtil, a empreendedora decidiu substituir a compra de tecidos novos por retalhos. Dessa forma, ela poderia criar produtos tão sofisticados e resistentes quanto os anteriores e ainda trabalharia de forma mais sustentável.

 

Hoje, a Badu Design está em Curitiba e outros vinte municípios do Paraná, onde forma e capacita uma rede de 486 mulheres. “Tenho um contato pessoal com cada uma delas”, conta. A meta para os próximos anos é expandir o negócio para outros estados, sempre visando a geração de impactos positivos, o uso de resíduos locais e comercializando nas próprias comunidades.

 

Saiba mais sobre a Badu Design no site badudesign.com.br.

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Denise Durey, Dona Obra
Arquitetas de formação e com uma inquietação em comum, Denise Durey e Giuliana Lobo se juntaram para atuar na garantia do direito à moradia digna pelas populações periféricas do Recife (PE). Elas se conheceram durante uma atividade de voluntariado e logo descobriram, juntas, o problema que desejavam ajudar a resolver.

 

Como não conheciam nenhum modelo de negócio nessa área, foram a campo pesquisar o trabalho de organizações como a Yunus Social Business, desenvolvedora de empreendimentos de impacto social, que tem como um de seus fundadores Muhammad Yunus, ganhador do Nobel da Paz. Depois conheceram a Vivenda, programa de reformas habitacionais que atua em regiões periféricas e de baixa renda de São Paulo. Em 2018, começaram a amadurecer a ideia de um negócio na área de reforma de habitação popular, na incubadora Porto Social.

 

Incubada e pronta para nascer, a Dona Obra começou algumas obras e foi selecionada para participar da edição de 2020 do Empreender com Impacto. “Com o programa, ampliamos nossos horizontes no desenvolvimento das soluções comerciais”, conta Denise.

Hoje, a empresa atua em toda a região metropolitana do Recife. Para os próximos três anos, as empreendedoras pretendem estabelecer parcerias para atuar em outros territórios. “Vamos trabalhar de forma estratégica do ponto de vista de impacto, ativando e desenvolvendo a economia local”, explica a arquiteta.

 

Para saber mais sobre a Dona Obra, acesse: https://www.instagram.com/donaobra.arq/

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Mareilde Freire, Saboaria Rondônia
A Saboaria Rondônia começa a partir de uma história de superação. Para resolver um problema de pele, Mareilde Freire foi procurar na internet receitas para fazer sabonete em casa e, assim, descobriu o poder de hidratação da glicerina. E foi assim, fazendo seu próprio sabonete, que ela descobriu uma oportunidade de negócio que a levou a fundar a primeira indústria de cosméticos de seu município, Ouro Preto do Oeste.

 

Professora de uma escola na cidade, em 2015 ela se aposentou e precisou voltar para o sítio de seus dos pais. Ali na roça, conversando com as irmãs, foi amadurecendo a ideia da saboaria. Passou a fabricá-los em casa e, “de pouquinho em pouquinho”, como ela diz, foi se estruturando.

 

Em 2017, Mareilde conseguiu um espaço para instalar a produção e, em menos de três anos, conquistou as licenças que precisava para entrar no varejo. Começou então a produzir sabões com óleo de palmeiras locais, como o buriti e o babaçu. “É possível aproveitar a abundância das palmeiras. Mantê-las em pé é rentável e ajuda a proteger a água, criando-se um ciclo virtuoso” explica.

 

Ela destaca que esse trabalho tem sido importante por mostrar às mulheres rurais que é possível criar seu próprio negócio, trabalhar a valorização da cadeia produtiva regional e garantir que as próximas gerações tenham um futuro. “Vendemos em todo o país, em pequenas quantidades para São Paulo, Minas e Paraná e estamos estudando a possibilidade de fretes mais baratos para expandir.

Saiba mais da saboaria aqui: https://saboariarondonia.com.br/

 

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